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Afinal, um pouco de ética não faz mal a ninguém, certo?

Afinal, um pouco de ética não faz mal a ninguém, certo?

Afinal, um pouco de ética não faz mal a ninguém, certo?

Ao longo dos últimos anos, observamos que a população brasileira vem perdendo a confiança na classe política e em instituições privadas, quando o assunto é ética. Esse crescente sentimento de ruptura entre o que é ético ou antiético, ocorre, também, em consequência das constantes informações oriundas de ações de corrupção nestes meios.

Essas observações foram elucidadas por uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, encomendado pelo ETCO – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, que ouviu jovens brasileiros sobre o assunto. De acordo com a pesquisa, 90% dos entrevistados consideram que a sociedade brasileira é pouco ou nada ética, 74% dos seus amigos próximos e 57% dos familiares são considerados pouco ou nada éticos.

Entretanto, a pesquisa demonstrou que esses mesmos jovens se consideram mais éticos que os familiares, amigos e muito mais éticos do que o restante da sociedade. De acordo com o presidente do Instituo, Edson Vismona, 56% dos jovens acreditam que não importa o que façam, a sociedade sempre será antiética.

Alguns jovens afirmaram, ainda, que compram produtos piratas “porque eles são mais baratos, não importa sua origem”, ou que “não importa se a empresa não é honesta, se for mais barato eu também vou comprar esse produto”.

Essa visão de uma sociedade que age contra os princípios morais e, portanto, o indivíduo não agirá com base neles, demonstra a percepção dos jovens que consideram difícil serem éticos em um ambiente antiético.

Esse comportamento, onde se imputa no outro a condicionante para a sua conduta, está se tornando prática comum entre os jovens. O que se observa é que a atual sociedade comete atos que, sabidos serem antiéticos, o fazem sem culpa, não assumindo seus erros e atribuindo-os ao outro pelo simples fato de que a sociedade é antiética. Neste sentido, devemos nos lembrar da ética de Aristóteles, onde o filósofo diz que a educação deve ser fator gerador de princípios éticos, o que nos faz deduzir que há falta de educação nesta atual juventude, correto?

Quando identificamos no outro o “ser não ético” – como por exemplo, os políticos envolvidos em casos de corrupção, uso de doações não declaradas para custeio de campanhas, uso do erário de nosso país para bens particulares – e não identificamos em nós este mesmo “ser não ético” ao utilizar o sinal da internet Wi-Fi do vizinho, ou quando pedimos para colocar um valor maior na nota fiscal ao apresentarmos à empresa para o reembolso de um almoço de negócios, temos nestas situações um problema que aprofunda o conceito de ética, e migramos ao conceito de educação. Percebemos que na sociedade brasileira existe uma valoração do antiético, quando nos consideramos mais espertos, astutos e melhores, quando conseguimos romper com o correto e transgredimos as normas, mas somente se não formos surpreendidos e pegos no ato.

E, em sua maioria, quando somos surpreendidos, tendemos a buscar no outro, no acaso ou na situação, a culpa pelo nosso erro, nunca em nós mesmos. Se não ganhamos mais no nosso emprego, a culpa é do mercado em recessão, e não do nosso desempenho nas metas. Se não conseguimos uma promoção tão esperada, a culpa é do nosso colega de trabalho que puxou nosso tapete, e não das diversas vezes que deixamos de entregar nossos relatórios.

O que podemos pensar e, creio agir, é que, independente do que a sociedade, empresas, ou políticos fazem, cabe-nos apenas a decisão sobre agir eticamente, corretamente, como manda os princípios morais que permeiam a vida em sociedade.

Não precisamos nos balizar em quem está errado para justificar nossos erros. Assumamos nosso papel em nossa sociedade, nossas empresas e nossas vidas, sem desculpas ou distorções da realidade. Apenas sejamos éticos. Apenas sejamos corretos.

Informações sobre o autor

Foto Cristiano Spelta

Cristiano Spelta é consultor, professor de marketing estratégico e gestor de Planejamento e Marketing da Sociis RH. Apaixonado por desafios e pessoas, está sempre disposto a ajudar candidatos a rever seus currículos e conseguir novas vagas em um mercado pra lá de competitivo.

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